Elsa,  Investimentos

A regra dos 4% brasileira

turned on macbook pro and brown leather file case
Foto por rawpixel.com em Pexels.com

Talvez você esteja se perguntando qual o melhor caminho para investir e se aposentar. A regra de bolso é ter o equivalente a 25 vezes a sua despesa anual investido para poder se aposentar. Essa regra, também conhecida como the 4% rule, foi feita com base em um estudo no mercado norte-americano. Mas será que ela funciona para o Brasil? E onde esse dinheiro precisa estar investido para render 4% ao ano e eu me aposentar tranquilamente?

A resposta para as duas perguntas está no investimento no Tesouro Direto. Para quem não conhece, o Tesouro Direto vende títulos do governo federal ao público. E o que você ganha quando compra um título do governo? Juros!

E quanto de juros o governo federal paga? Bom, isso depende. Depende do tipo do título e depende da situação econômica do país.

Com relação aos tipos de títulos, existem basicamente três tipos: os que pagam um juros real pré-fixado (as chamadas NTN-Bs), os que paga um juros nominal pré-fixado (as chamadas LTN e NTN-Fs) e os que pagam um juros pós-fixado (que é basicamente um, a LFT).

A diferença entre os pós-fixado e o pré-fixado é que no pré-fixado, você já sabe no momento da compra do título, qual o juros que vai receber por ele. Como aposentadoria é uma questão de planejamento, saber de antemão quanto você vai receber de juros é a melhor opção.

Mas o que vale mais, os juros reais ou os juros nominais pré-fixados?

Para responder isso, primeiro preciso explicar a diferença entre os dois tipos de juros. O juros nominal é simplesmente a soma do juros real mais a inflação. E consequentemente, o juros real é o juros nominal menos a inflação. E é do juros real que você vai viver na sua aposentadoria, não do juros nominal.

Já parou para pensar que daqui 10, 20 ou 30 anos os preços serão outros, certo? Se hoje seus gastos anuais são de R$100 mil, eles podem muito bem representar o dobro disso em 10 anos dependendo da inflação. Por exemplo, se daqui 10 anos o seu gasto anual subir para R$200 mil, apenas por conta da inflação e não porque você passou a comprar mais coisas, você precisa ter o equivalente a R$ 5,0 milhões investidos (25 vezes sua despesa anual). Assim, é fundamental  garantir um rendimento acima da inflação ao longo do tempo (o juros real). Dessa forma você garante que o seu investimento vai crescendo junto com a inflação todo ano, e usa apenas o juros real para pagar as suas contas.

Uma forma simples de entende isso é pensar nas pessoas que vivem de renda de aluguel. Com o passar do ano, o preço do imóvel vai subindo, e com isso, o valor cobrado pelo aluguel também sobe. Só que você só recebe todo ano o valor do aluguel e não da valorização do imóvel (afinal, para receber isso você precisaria vende-lo e deixaria de receber o aluguel nos próximos anos). O juros real é o aluguel que você recebe quando tem um imóvel, o juros nominal é o aluguel mais a valorização do imóvel.

Como a gente não sabe qual vai ser a inflação nos próximos anos, o melhor é garantir o juros real. E é por isso que eu prefiro investir em NTN-B, que paga um juros real pré-fixado mais a taxa de inflação. Ou seja, ela sempre vai garantir que o seu dinheiro suba mais do que a inflação e renda um juros real que é prefixado e que, portanto, você já conhece.

A NTN-B hoje paga um juros ao redor de 5,0% ao ano. Antes de você achar que a NTN-B rende ainda acima da regra dos 4% e que, portanto, ficou mais fácil se aposentar, precisamos ter alguns cuidados.

O primeiro é que há uma taxa de custódia (que hoje está ao redor de 0,3% ao ano) que já derruba um pouco esse retorno. O segundo é que no momento que você recebe os juros, você paga imposto de renda sobre esse juros. E o terceiro é que tanto a taxa de custódia quanto o imposto de renda são descontados incluindo o rendimento com a inflação. A taxa de custódia você não consegue evitar de pagar todo ano, mas o imposto de renda pode deixar para pagar só quando for se aposentar. Fazendo esses ajustes, você teria cerca de 4% do seu dinheiro livre para pagar as suas contas.

Para investir no Tesouro Direto basta abrir uma conta numa corretora. Eu indicado a XP Investimentos, porque ela não te cobra nada para investir no Tesouro Direto e porque é uma corretora segura. O processo de abertura da conta é todo online e basta você transferir o seu dinheiro que está no seu banco para a corretora. Agora o passo a passo para a realizar a compra do título, a própria XP te ensina em vídeos muito bem explicados dentro do próprio site.

É claro que, como qualquer investimento, há alguns riscos de investir no Tesouro Direto. O primeiro deles é você tomar um calote do governo federal e ele não honrar com a dívida, o que é um risco muito baixo. O segundo é que quando você compra um título, ele tem uma data de vencimento. Se você quiser receber o seu dinheiro antes do vencimento, vai ter que vender ao preço vigente no mercado no momento da venda, e nesse caso, você pode perder dinheiro. Ah, vale destacar que você nunca vai perder mais do que investiu, isso é impossível.

Outra escolha que você precisa fazer é o prazo de investimento e se quer um título que paga juros semestrais ou não. A minha decisão sobre essas duas coisas foi dividida em dois momentos:

1. Fase de acumulação: durante esse período vou investir apenas em títulos que não pagam juros semestrais, por dois motivos. Primeiro porque nos primeiros meses de investimento o imposto de renda é maior, e como eu não vou precisar desses rendimentos durante essa fase, não faz sentido pagar mais imposto sobre esse rendimento. O segundo é que como eu não preciso desse rendimento agora, eu iria reinvesti-lo, e nesse caso receberia a taxa do mercado, que pode ser menor ou maior, mas que traria mais incerteza sobre o meu plano de aposentadoria;

2. Aposentadoria: no momento da minha aposentadoria, eu vou mudar meu investimento para um título que paga juros semestrais. Assim, a cada 6 meses eu receberei os juros reais que vão pagar minhas contas pelos próximos 6 meses, e não precisarei me preocupar mais com investimento!

Hoje, como estou na fase de acumulação, tenho o equivalente a 75% dos meus investimentos estão em NTN-Bs que não pagam juros semestrais. Os outros 25% estão em um ETF de S&P, que é um investimento mais arriscado e que, portanto pode me trazer mais retorno. Mas sobre ele, eu explico num outro post.

Elsa

10 Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.