Muquirana,  Qualidade de Vida

De volta às origens

Photo by Marta Filipczyk on Unsplash

Após 7 semanas de quarentena na minha cidade natal no interior do Brasil, a família Muquirana tirou lições importantes para o período FIRE que se aproxima.

Conversamos muito sobre uma nova lista das 10 Coisas mais Importantes da Vida, pois ao reler nossa lista anterior, muita coisa foi adquirida automaticamente ao sair de uma cidade grande. Nossa principal necessidade era um detox de barulho e bagunça urbana e agora temos certeza que isso é de fato imprescindível para nós. Saiu o avião e entrou o passarinho. Saiu o vum-vum das avenidas e entrou um silencio ensurdecedor na hora de dormir. Que diferença isso faz na qualidade de vida! Estamos felizes com isso e não queremos abrir mão.

Uma vez satisfeitos esses itens, paramos para pensar o que mais nos traria felicidade e percebemos que essa vida tranquila de quarentena está nos fazendo muito bem. Não estamos 100% trancados em casa, pois estamos em uma cidade com poucos casos de covid. Temos o luxo de estar num canto antigo da cidade, cheio de “casas de vó”, portanto 100% vazio! As ruas estão desertas e temos praticamente só para nós uma quadra, uma praça e um parquinho. Levamos nosso álcool gel e saímos pelo menos 2x por dia com o Jr Muquirano para andar de patinete, ir ao parquinho ou brincar com galhos secos das árvores.

Passar o fim de tarde sentado na praça é muito gostoso. Ficamos atoa vendo o dia acabar enquanto o Jr corre pela praça. O mais engraçado é que esse “paradão” era uma das coisas que eu mais abominava quando morava aqui e sonhava com o dia de ir embora para a cidade grande. Eu voltaria a morar aqui? Também não. Há outras coisas da minha lista que não são satisfeitas pela cidade das quais não abro mão, como um acesso mínimo à cultura e ao mundo. Outra coisa que me aflige é a qualidade da saúde na cidade. Minha mãe teve uma tosse muito forte que demorou muito a ser diagnosticada. No final das contas ela teve uma pneumonia que já está sendo tratada (graças a Deus não foi covid! Pelo menos os testes chegaram aqui!) Isso me lembra quando ela teve um AVC que foi diagnosticado como labirintite. Só depois de 10 dias passando mal veio o diagnóstico e ela saiu correndo para um hospital numa cidade maior. Felizmente escapou sem sequelas.

A quarentena está nos mostrando que uma cidade média é uma escolha bem acertada pro nosso momento de vida e nos esfregou na cara o quanto a vida na cidade grande é gourmetizada pela simples falta de ter o que fazer. Não temos acesso a uma área de lazer perto da nossa casa dai nossos passeios acabam envolvendo gastar dinheiro com o sorvete de 14 reais, o bolo de chocolate belga o restaurante XPTO, etc. Falei pro sr Muquirano que não estou sentindo nenhuma falta da “espuma de pupunha”, do “sushi de rabo de jacaré” nem do “pirarucu com crosta de castanha do Brasil”. Comemos comida normal do dia a dia e quando queremos inovar faço um risoto ou compramos uns quitutes no supermercado.  A única coisa que as vezes sofro em ficar sem é de um lámen que costumamos frequentar. Quando voltar pra casa com certeza vou pedir um, mas nada afrescalhado, um prato de 35 reais muito bem feito.

Nossa previsão é de ficar mais umas 3 ou 4 semanas por aqui. Espero que a doença acabe logo e as coisas voltem a algo mais próximo do normal. Por enquanto nosso medo maior de saúde pública é o mosquito da dengue, a realidade brasileira pre-covid..

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