Elsa,  Reflexões

Depressão pós férias

Foto favorita das minhas férias

Minha ausência nas duas últimas semanas no blog é justificada por um motivo muito nobre: Férias!

Diferentemente da Muquirana, fui pra Europa, com meu marido e fizemos uma boa férias frugal, rs. Escolhemos o destino com base na passagem mais barata, ficamos em hotéis de no máximo 50 euros a diária e aproveitamos que a água da torneira por lá é filtrada e não gastamos nem um eurinho com água!

Mas eu vim aqui falar sobre um sentimento muito comum e propício para o meu momento: a depressão pós férias!

Quando eu estudava, as férias do colégio eram tão longas que eu amava voltar às aulas e rever meus amigos. Mas quando comecei a trabalhar e percebi que só teria 1 mês de férias por ano, a coisa bateu.

Nunca vou me esquecer da minha primeira depressão pós férias. Eu tinha acabado de voltar da Espanha com o meu marido (que não época era meu namorado). Cabeça tranquila, rosto bronzeado e zero estressada. Do dia pra noite voltei pra rotina, segunda-feira de manhã, para encarar todos os meus colegas de trabalho pálidos (aquela cor de escritório, sabe?), me contando sobre todos os pepinos que aconteceram na minha ausência e preocupados com a apresentação que precisava ser finalizado naquela semana senão o mundo ia acabar. É impressionante como a gente fica tão imerso no trabalho que até esquece que a vida continua lá fora, mesmo se a gente perder um prazo de entrega.

Rapidamente comecei a sentir um desespero, um mal estar tomando conta “meu Deus, eu estou voltando para essa vida e logo menos estarei pálida e mega estressada como eles”. Eu não conhecia a depressão pós férias, não sabia que era algo comum. E como tudo que é desconhecido nessa vida, foi assustador!

É claro que estou exagerando ao usar o termo “depressão”. A depressão é muito mais grave e com consequências muito mais severas, que podem levar a pessoa a não conseguir nem ao menos levantar da cama para trabalhar. De fato, a depressão pós férias existe (só dá um Google, os números são assustadores). O que eu senti na verdade foi uma profunda tristeza, mas sem as consequências graves da depressão.

Eu comecei a procurar motivos para o que eu estava sentido. O primeiro que eu investiguei foi se eu estava triste por voltar ao Brasil. Viajar pra um país desenvolvido sempre me faz questionar até que ponto vale a pena viver essa vida muito mais difícil (por conta da segurança, mobilidade, serviços públicos, etc) aqui no Brasil. Parece que os brasileiros estão jogando o jogo da vida no modo “hard”. Mas eu sei que a verdadeira felicidade está nas relações humanas, e em nenhum outro país eu terei as relações que tenho aqui por conta da minha família e principalmente por conta dos meus amigos. De fato, era uma alegria voltar ao convívio das pessoas que amo e isso não podia ser o motivo da minha tristeza.

O segundo motivo foi que eu deveria odiar o meu trabalho pra tá me sentindo tão triste assim na volta. Bom, já fiz um post aqui falando sobre isso. E a conclusão é que acredito que meu trabalho hoje é a melhor relação custo x benefício pra mim. Dificilmente seria feliz com outro emprego, no formato padrão.

O último motivo, e o que fez mais sentido pra mim, é que eu não gosto da rotina de trabalho e ponto. E principalmente eu não gosto da falta de liberdade. Nas férias temos a liberdade para preencher nosso tempo como bem queremos e como achamos que vai ser mais útil e proveitoso para nós. Definitivamente, a minha rotina de trabalho não me traz essa flexibilidade.

E é isso que torna a independência financeira ainda mais especial! Desde a primeira vez que eu senti a famosa “depressão pós férias”, muitas outras férias foram tiradas. Voltar na segunda-feira e encarar os colegas pálidos não é fácil, mas tem se tornado bem menos doloroso com o passar dos anos. E isso não é porque estou me acostumando com o sentimento. Isso é porque eu sei que essa volta está com os dias contados. Para ser mais exata, como pretendo me aposentar em 7 anos, e tirando uma média de 2 férias por ano, eu só tenho mais 14 dia de depressão pós férias pela frente! Isso é muito menos do que se eu tivesse planejando passar o resto da vida trabalhando, como a maioria das pessoas…

Cada férias, cada volta ao trabalho é um passo a mais a caminho da minha independência financeira. Se não tivesse esse plano por trás, as voltas seriam cheias de questionamentos sem respostas! Hoje sei que essa rotina maluca de 5 dias da semana, 12h por dia totalmente comprometidos ao trabalho está com os dias contados. A busca pela independência financeira tornou a depressão pós férias muito mais tolerável!

E para vocês? Como é a sensação de voltar de férias?

11 Comentários

  • Wat

    Curiosamente não viajei nos últimos anos mas pude estar o dia inteiro com minha bebê de 5 meses nesses dias de feriado . Tomei suplementos.
    A sensação é que você deixa de viver para colocar comida em casa.

    • Wat

      PS:Tomei suplementos quando assim que pus os pés na firma , posso estar somatizando, mas me ajuda para aguentar a hipocrisia de que “todos nós fazemos a diferença” aff.

  • Muquirana

    Aí nem me fale de depressao pós férias. Eu tenho até depressao pós feriados! Tirei a segunda livre nessa Páscoa e hoje parece que estava numa realidade muito longínqua quando pisei no trabalho.. assim como o WAT acima passei muito tempo com meu bebê e voltar pra rotina de escritório é muito chocante. Enfim, tb espero estar com os dias contados pra isso!

    • sempresabado

      Hahaha Muquirana, também tenho depressão pós feriado. Aliás acho o nome “quarta-feira de cinzas” bem propício pro fim do carnaval!

  • ABM

    Elsa, acho que sua atitude diante da realidade é bem positiva e vai te ajudar muito ao longo desta jornada. Essa depressão pós-férias é danada mesmo. Quando eu passei pela transição da agenda analogica para a digital, eu me senti mais sobrecarregada. Seu calendário vai se enchendo de reuniões e eventos automaticamente. Vc volta de férias e o caos está armado na sua agenda. Eh duro… Achei bem interessante você refletir sobre a volta para o Brasil. Os vínculos pessoais contam muito. E tem uma fase na vida que você não tem tanto tempo para construir essas relações do zero. Precisa um tipo de flexibilidade e disponibilidade que vc nao tem mais.

    • sempresabado

      Oi ABM!
      Acho q sempre tive uma agenda digital, rs, e realmente é muito engraçado como você já precisa voltar “rodando a cem por hora”! Isso deve contribuir também pra depressão…
      Também concordo com você que com o passar dos anos fica difícil construir novas amizades. Eu sei que tenho sorte de ter mantido amizades de infância até hoje. Essas amizades fazem bastante diferença na minha saúde mental e emocional, então não desprezo o valor delas na hora de colocar na balança o peso de morar no Brasil.
      Sempre bom ler seus comentários por aqui!

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