Elsa,  Gastos,  Reflexões

Educação pública

Confesso que tive receio de escrever esse post porque como não sou mãe (e não tenho vontade de ser), pode soar como um post “muito fácil de falar, quero ver fazer”. Mas como uma dinda dedicada e amiga de muitas mães, senti necessidade de escrever.

Desde que minha irmã e amigas mais próximas se tornaram mãe, ficou claro que a escolha da escola para os filhos é um tema muito importante para os pais. A Muquirana mesmo acabou de escrever sobre isso. E me toca o medo que os pais sentem de errar, de não prover a melhor alternativa para os filhos. A maioria tem noção de que o que importa mesmo é dar um bom lar e educação em casa. Mas não fica aquela pulga atrás da orelha, será que isso basta mesmo?

Ontem, num almoço de trabalho, me dei conta de que nos meus últimos 3 empregos tive colegas que estudaram a vida toda em escola pública. Eu prefiro não dizer em que ramo trabalho pra manter o anonimato, mas posso garantir que trabalho numa área muito competitiva e que remunera bem. Ou seja, nos meus últimos 3 empregos, convivi com pessoas que chegaram aqui, mesmo estudando numa escola pública. Correndo o risco de extrapolar uma pequena amostra pra todo o universo, acho que isso mostra que a educação pública não impede ninguém de chegar longe na carreira. E decidi compartilhar o que eu sei da história deles aqui.

A primeira, vou chamá-la de Andréia, era de uma família simples da zona sul de São Paulo. Não era aquela zona sul dos Jardins, mas uma zona sul mais periférica. A Andréia tinha casa, comida e roupa lavada. Não precisou trabalhar durante a infância, mas apreendeu inglês fazendo um curso simples e depois ainda ganhou dinheiro dando aulas de inglês nessa mesma escola durante a adolescência. Raspo de tacho, a Andréia tinha um irmão alguns anos mais velho que lhe ensinou que ela precisava estudar, entrar numa universidade e aí sim ela teria um emprego decente. Ele era bastante exigente com ela durante os estudos. Ela estudou, entrou numa universidade pública e em poucos anos já era sócia de uma das principais empresas do ramo que trabalho. Hoje nutre um carinho e gratidão enorme pelo seu irmão e faz questão de retribuir o que pode para os pais.

A segunda história é do Daniel. O Daniel era da zona leste de São Paulo. Os pais tinham um pequeno comércio que era o suficiente para pagar as contas de casa mas não o suficiente para pagar uma escola privada. O Daniel também não teve que trabalhar na infância pra ajudar nas contas da casa. Muito esforçado, aprendeu inglês e espanhol sozinho. Como sempre soube que a única opção de universidade seria a pública, começou a estudar pro vestibular desde cedo. Entro na USP, fez mestrado na USP e hoje tem uma posição de destaque em uma multinacional. A mãe dele faz até hoje sua marmita e lava suas roupas. Ela não se importa e ainda “obriga” o Daniel a visitá-la todos os domingos pra receber esses mimos. O Daniel retribuiu dando uma aposentadoria tranquila aos pais e férias na Europa todo ano.

E por fim, ontem almoçando com uma colega de trabalho, ela me contou sobre a sua infância humilde e que estudo em escolas públicas a vida toda. De Governador Valadares, o pai prometeu um carro se ela passasse numa escola pública. Ela passou, mas o carro nunca veio. Ela não cobra, não sente raiva do pai por isso. Fica feliz que hoje pode comprar o carro que bem quiser e é muito apegada aos pais. Pra sair da cidade em que cresceu, morou em repúblicas lotadas durante a faculdade e mestrado. Se virou como pode. Era panfleteira, e hoje pega panfleto de todos porque sabe que é um trabalho duro.

Os três com certeza tem muito mérito próprio e devem compartilhar de qualidades que ajudaram para que crescessem tanto. Mas algo em comum além da escola pública, é que são de família extremamente amorosas. Faltava dinheiro, mas não faltava educação e afeto. Fico impressionada como os três são apegados as famílias até hoje. Convivendo com os 3, sei que o fato de não terem estudado numa Ivy League da vida não o impedem de crescerem e serem bem sucedidos onde estão. Sei que o mundo pode mudar muito daqui pra frente, mas acho que competência e garra não se ensinam na escola bilíngue. Acho que é algo muito mais fácil de aprender quando você enfrenta algumas dificuldades desde cedo.

A moral da história é que com tantos exemplos positivos próximos a mim, eu não tenho mais tanto preconceito com a escola pública. E fica ainda mais óbvio que pais felizes, filhos felizes. Talvez ser um pai estressado com o trabalho em tempo integral pra pagar uma boa escola, sem tempo pra educar dentro de casa, seja realmente o mais danoso pro sucesso profissional.

26 Comentários

  • Renato

    Opa felizmente tem alguem na blogosfera que fala bem da educacao pública. Tá dificil ver o pessoa só criticando a saúde e educacao publica das quais usei e defendo até a morte. Se a qualidade nao é das maiores, a pessoa por sí só tem que fazer a sua parte para completar o que falta.
    Meu plano FIRE conta com saúde e educacao públicas, afinal paguei/pago e vou usar o máximo.
    Abcs

    • sempresabado

      Muito legal seu comentário Renato!
      Minha madrastra é professora de escola pública e ela diz que o maior problema é o preconceito mesmo.
      Na escola dela, os pais são muito participativos e isso faz com que a qualidade do aprendizado seja muito alta.
      Bom ponto: tá sendo muito bem pago!
      Abs

    • Marcelo - Vida Rica

      Renato, eu entendi mais como um elogio aos pais e ao esforço de cada um do que necessariamente ao ensino público. Acho que prova o ponto de que vontade de aprender e disciplina também influenciam bastante na formação da pessoa, e não somente a escola onde estuda.

      • sempresabado

        Exatamente isso Marcelo! Os 3 exemplos contaram com uma vida em casa muito feliz e prazerosa. Acho que isso foi o determinante pra se tronarem adultos brilhantes!

  • Action

    Olá boa noite
    Também vim de escola pública, filhos de pais sem o ensino médio, logo cedo vi que se quisesse ter alguma coisa teria que trabalhar logo cedo.
    Sou registrado desde os 14 anos. A grande base da minha educação se deve ao Senai, foi o verdadeiro complemento do meu ensino médio.
    Hoje trabalho e uma grande multinacional alemã e o que me fez chegar até onde cheguei com certeza foi a educação.
    Tenho assistido a mini série da Globo, segunda chamada, muito boa por sinal.
    Chego até chorar as vezes.
    Grande abraço

    • sempresabado

      Oi Action! Muito legal o seu relato tb! Interessante essa do Senai, tá aí mais uma fonte de ensino que acabamos não explorando. Parabéns por ter chegado tão longe tb!

  • Cowboy Investidor

    Olá, Elsa.

    Eu e meus irmãos estudamos em escolas públicas. Fizemos o ensino básico na zona rural e na cidade pequena. Nós fizemos o ensino superior em universidade pública. Hoje meus irmãos tem bons empregos e negócios e eu também estou no caminho.
    Meus filhos vão estudar em escolas públicas. Não pretendo pagar escolas particulares. Existem escolas públicas boas e o esforço do aluno também é importante.

    Aliás, conheço muita gente bem-sucedida que estudou sempre em escolas públicas e muitas pessoas malsucedidas que estudaram nas “melhores” escolas privadas.

    Abraços!

    • sempresabado

      Verdade Cowboy! Pagar escola cara não é garantia de nada! Muito legal o seu relato, to impressionada que a maioria dos comentários são positivos e vindo de pessoas q tb estudaram em escolas públicas!

  • Sidnei

    Olá,
    Também não acho a educação pública ruim, como muitos falam.
    Claro que as escolas privadas tendem a ser melhor do que as públicas, mas vejo isso mais pela questão de estrutura física, e por professores que tendem a ser melhor qualificados.
    Mas acima de tudo, o interesse do aluno é preponderante. Vejo amigos meus reclamando dos filhos que estão mal na escola (mais pelo lado do desinteresse).
    O ato de colocar o filho numa escola privada é normalmente um pouco um ato de terceirizar a responsabilidade, tipo: “coloquei o meu filho numa boa escola privada, a responsabilidade é agora toda do meu filho e da escola”.
    Um acompanhamento frequente dos pais também ajuda muito. Não precisa ser todos os dias, mas uma ou duas horas por semana, nos finais de semana já são de grande valia. Alguns vão dizer que não possuem tempo nem para essas duas horas semanais, daí eu digo que se você não possui nem essas duas horas semanais não tenha filhos, pois ter filhos é uma grande responsabilidade (até por causa disso e também por não conseguir me relacionar bem com crianças, não desejo ter filhos).
    Resumindo: alunos com iguais níveis de interesse, o de escola privada tende a se sair melhor na carreira do que o de escola pública. Mas um aluno de escola pública com grau de interesse alto vai ter uma carreira melhor do que um de escola privada, mas com baixo nível de interesse.
    Por fim, parabéns por trazer estes assunto ao debate!

    • sempresabado

      Obrigada pelo comentário super completo Sidnei!
      Realmente se os pais não tem espaço na agenda pros filhos, as chances de criarem pessoas frustradas deve aumentar muito. A educação principal pra mim é em casa, com as pessoas que mais te amam: seus pais!
      Abs

  • Viver Sem Pressa

    Oi Elsa, concordo com você, o preconceito em relação ao ensino público é gigantesco. Eu tenho 2 filhas e quando decidi que iria matricular numa creche pública, ouvi muitas frases do tipo “eu não teria coragem de fazer teste com as minhas filhas”, “você é muito corajosa de colocar numa pública, já que tem dinheiro para pagar por uma particular”, mas quando eu os confrontava, perguntava o que era ruim, se conheciam alguém que tinha tido alguma experiência negativa, a surpresa: ninguém tinha experiência pra falar. Ou seja, eram pré-conceitos. Pois bem, matriculei a minha primeira filha e só tive gratas surpresas. Tenho um carinho enorme pela escola, e apesar dela ter saído no meio deste ano, porque consegui uma vaga em outra creche pública perto do meu trabalho que vai até os 6 anos (a que ela estava iria até os 4 anos, ou seja, até o fim desse ano), eu só tenho gratidão pelo carinho que eles tiveram não só pela minha filha, mas pela família toda. Vejo muitas pessoas reclamando, mas não movem uma palha para melhorar o ambiente. Na creche que minha filha entrou em agosto, fiquei sabendo que uma professora costurava as bolsas dos alunos à noite, fora do seu expediente de trabalho. Fiz uma vaquinha e comprei uma máquina de costura para a escola. Eu realmente acredito que quando unimos forças, nós temos condições de melhorar uma escola, um bairro, uma cidade, um país. Daqui a 2 anos, a minha filha irá mudar de escola, para Fundamental 1, eu e meu marido estamos muito inclinados a continuar na escola pública, com o intuito de colaborar com o desenvolvimento da escola. Sei que os tempos são outros (eu e meu marido também sempre estudamos em escolas públicas, até a universidade), não quero tirar oportunidade das minhas filhas, mas elas já nasceram em condições infinitamente melhores do que eu. Eu nunca tive tantos brinquedos como elas têm, não lembro de ter usado roupas novas até a entrada da faculdade, e tantas coisas escassas que eram naturais para a nossa geração. Adorei seu post. Beijos. Yuka.

    • sempresabado

      Oi Yuka!
      Pensei em vc enquanto escrevia! Acho vc um exemplo incrível de que o mais importante é os pais participarem da educação das filhas, tanto em casa como na escola. É trazer a vida em comunidade de volta, que estamos tão afastados!
      Parabéns pela iniciativa, você é uma fonte de inspiração!

  • Lucas

    Escola pública é um pouco deficiente a partir do Ensino Fundamental II, nessa hora, as influências negativas aumentam e o nivel de ensino caí sobremaneira. A partir do Ensino Médio então, fica quase impossível construir uma base sólida para uma Fuvest, Unicamp ou até mesmo o Enem. Exceto escolas técnicas, policiais, militares e Institutos Federais, não é um preconceito, mas sim uma realidade dizer que tais escolas sejam um risco para a vida do brasileiro dentro do sistema.

    Estudei em escolas públicas por toda a minha vida. Minha educação infantil e Ensino Fundamental I foram ótimos, mas a partir do 6o ano as coisas pioram. Sugiro que pesquise as notas do IDEB para averiguação dessa realidade, elas caem exponencialmente a partir do EF II. Eu pretendo matricular meus filhos na pública, mas somente até o 5o ano. Depois disso, incentivarei eles fazerem provas de escolas públicas mais conceituadas. Também acho exagero uma escola de R$5-7 mil, mas o barato (ou gratuito) também pode sair caro mais na frente.

    • sempresabado

      Muito interessante esse ponto Lucas. Também tenho amigos que estudaram em escolas técnicas e ingressaram em faculdades excelentes. Acho que o barato pode sair caro sim, mas o custo de um pai ausente deve ser tão alto quanto! Abs

  • Pierre

    Penso diferente da maioria. Minha esposa é professora na rede pública da nossa cidade e nosso filho estuda na rede privada. Neste ano ela leciona para o segundo ano, só tem disponível apostilas para 40% dos alunos, não tem ar condicionado e o ventilador da sala está quebrado desde o início do ano (levamos um de nossa casa por pena das crianças), ela também compra do próprio bolso bombonas de água pois a água disponível tem cheiro forte, a merenda não segue muito o cardápio da nutricionista e geralnente vem alguma bolacha simples… Resumindo, a estrutura é péssima e os profissionais se viram como podem. Se puderem pagar pelo estudo dos seus filhos não exitem, e olha que moramos numa boa cidade da região sul, com bons índices (manipulados certamente).

    • sempresabado

      Interessante seu ponto Pierre! Realmente a estrutura das escolas são bem piores. Legal que a sua esposa contribui de alguma forma pra melhorar o ambiente! Abs

  • DANIEL

    Boa noite
    Entendi seu ponto de vista, porém é errado.
    Não se pode tomar a parte pelo todo. São exemplos de exceções . Na sua grande maioria os oriundos de escola pública terão cada vez mais dificuldades .

    No seu exemplo vc está vendo pessoas que vivenciaram a escola de 30 anos atrás em média dos 7 aos 17 ou seja por 10 anos em média .

    Não havia cotas raciais ,
    Não havia a violência desenfreada de hoje ,
    Havia bons professores ainda na rede pública,
    Houve perda salarial importante e aumento da violencia e espantou a maioria dos bons profissionais ,
    Quem faz escola bilíngue não é aceito em ivy league, 99% vem das escolas internacionais britânicas e americanas , vocês vivem fazendo confusão escola bilíngue é bobagem inventada para enganar classe média e média alta .

    A chance de sucesso e estudar muito e nas melhores escolas , porém , nada é impossível neste mundo , porém em termos de probabilidade há uma grande diferença entre provável e possível .

    B noite

    • sempresabado

      Oi Daniel! Concordo com vc que os oriundos da escola pública terão mais dificuldades e claro, até fiz o disclaimer do texto de que não devo extrapolar esses 3 exemplos pra todo universo.
      Mas eu tinha um preconceito que foi quebrado com essas histórias. E acho que elas destacam a importância da família na educação! Abs

  • Pequeno Bezi

    Olá. Parabéns pela discussão proposta.

    Com o devido respeito, não concordo com sua tese. É óbvio que existem escolas públicas de excelência (institutos Militares, CEFET, algumas escolas municipais), mas a maior parte é lamentável. E essa não é minha percepção subjetiva. Ao contrário, afirmo com base nos dados estatísticos do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Vale a pena conferir.

    É óbvio que não podemos associar acriticamente a escola pública ao lixo e a escola particular à salvação. Como disse, existem escolas públicas de excelência. Além disso, alguns municípios (Sobral no Ceará é um exemplo), conseguiram implementar melhorias substanciais no ensino focando em gestão e infraestrutura.

    Os exemplos que você deu são interessantes e revelam histórias de superação. Um outro exemplo famoso é a da Deputada Tabata Amaral. Ela tem uma visão muito interessante e sóbria sobre o tema , não só por ser estudiosa do assunto, mas por ser oriunda de escola pública. Entretanto, esses casos são exceções. A regra indica que a escola pública apresenta ineficiências sistêmicas absurdas que tornam os mencionados exemplos de superação cada vez mais raros.

    Por outro lado, entendo que educação é um conceito muito abrangente e que não se limita a ficar 8 horas sentado na sala de aula. A participação dos pais é fundamental. Assim, considerando que apenas 2% da população tem condições de colocar o filho em uma escola que custa 6k por mês e que as particulares mais baratas muitas vezes possuem um nível medíocre, penso que, em determinados contextos, a opção pela escola pública seja razoável e plausível.

    • sempresabado

      Oi Bezi! Tem todo direito de discordar, acho discussões válidas!
      Realmente os dados do IDEB são horrorosos. Mas fiquei feliz de ver que a escola pública não foi um impedimento para essas pessoas! É uma outra forma de olhar.
      E concordamos no papel da família na educação! Super importante!
      Abs

  • Érika

    Concordo com quem comentou que as escolas públicas hoje não são as mesmas de vinte anos atrás. Eu também estudei a vida inteira em escola pública, filha de mãe sem estudo e sem pai. Apesar de não ganhar acima de dez mil, me considero uma vencedora. Mesmo naquela época a escola não era mil maravilhas, faltava material de estudo, livros, merenda nem pensar, professor de algumas matérias cheguei a ficar vários meses sem, porém nem se comparava com a situação de violência física hoje. Eu jamais teria coragem de colocar meus filhos em escola pública a partir do ensino fundamental II, como alguém já comentou também. Infelizmente não é só questão de estudo mas também de ambiente e integridade física.

    • sempresabado

      Oi Érika! Sim, esse ponto da violência é bem relevante.
      Um contraponto é que se a escola fosse frequentada por mais crianças de famílias estruturadas, talvez o meio se alterasse e ficasse menos violento. Não sei se é uma visão muito utópica da minha parte. Abs!

  • LER E POUPAR

    É um dilema para os pais. Estudei em escola pública e escola particular. Não há receita de bolo. Conheço muitos colegas de escola pública que não se deram bem. E também conheço muitos colegas de escola privada que não se deram bem.
    O ponto principal é o que disse: todos vieram de famílias amorosas. Também alguém pode dizer que conhece um monte de gente que veio de família amorosa que não se deu bem. Mas, como pai, penso que o mais importante sou eu passar o máximo de tempo possível ao lado dos filhos.

    Nenhuma escola no universo substitui a atenção dos pais. Eu e minha esposa pensávamos em matricular as crianças em escolas integrais e bilingues. Quando visitei a tal escola pudia perceber um certo olhar de tristeza e melancolia nos alunos. Não sei o porquê, mas não me senti bem no ambiente.

    De que adiante aprender inglês e sei lá mais o que se os pais não tem tempo de qualidade para os filhos?

    Mas, ao mesmo tempo, para aqueles pais que precisam trabalhar o dia inteiro e não tem com quem deixar os filhos, não vejo alternativa. Foi-se o tempo em que familiares se ajudavam na criação dos filhos.

    • sempresabado

      Muito legal seu relato!
      Eu também tenho essa sensação de tristeza com escolas integrais. Tb conheço muita criança com olhar triste pq não tem tempo em casa, de descanso, com a família. Por isso acho que um equilíbrio é a melhor saída. Eu fui criada pelas minhas avós, frequentava escola do meio período. Hoje vejo que os pais não tem mais coragem de deixar os filhos com os avós todos os dias. Da uma sensação de que estão tirando a liberdade dos avós. De fato, nos tornamos uma sociedade mais individualista, em que a gente prefere pagar pra ter um serviço do que depender do “favor” dos outros. Parece uma realidade triste tb. Abs!

  • kspov

    minha filha mais velha estudou a vida toda em escola publica.
    fez vestibular e passou na Unicamp, Usp e Unesp. Pagamos dois anos de cursinho pra ela.

    quando ela entrou na universidade, disse que numa classe com 100 alunos, ela e mais três vieram de escola publica, todo o resto de escolas particulares.

    Essa proporção diz muita coisa.

  • Sr.Bigode

    Elsa,

    Esse é um excelente ponto. A educação de casa/família é fundamental para uma criança. Com ela, é possível vencer barreiras como a falta de qualidade das escolas públicas ou mesmo um gap para as privadas.

    Outro ponto legal, é a participação da família nas escolas. Todos os índices apontam que maior o envolvimento, maior a qualidade do trabalho realizado nas instituições.

    Isso leva ao fato de que nossa sociedade precisa entender que somos nós que fazemos as coisas acontecerem. Não adianta esperar que façam por ti.

    Abraços

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