Elsa,  Investimentos,  Renda Fixa

Em defesa do PGBL

(Para entender esse texto, vale pesquisar antes sobre os benefícios fiscais do PGBL, que é uma informação fácil de encontrar na internet e não vou ficar repetindo aqui!)

Logo que comecei a ler aos blogs de Finanças Pessoais conheci o blog do Viver de Renda. Gosto muito do conteúdo do blog e li a série de Como perder dinheiro com PGBL. O argumento do VR era que se você tirasse o dinheiro antes do prazo pagaria uma facada de imposto de renda, as taxas de carregamento e de administração eram abusivas e que a rentabilidade nunca seria boa porque a parcela alocada na bolsa era limitada a 49%. Na hora, as contas fizeram muito sentido pra mim e decidi nunca investir em PGBL.

Até que numa discussão com um chefe antigo, ele me convenceu a repensar. Isso porque na empresa que trabalhamos a empresa deposita o mesmo montante que você no PGBL, limitado até 6% da sua renda. Nesse caso, o retorno do seu investimento é 100%! É claro que você só vai receber 100% do que a empresa colocou se ficar alguns bons anos por lá. Mas mesmo depois de só 3 anos, você já recebe 20% do que a empresa colocou. Segundo o IBGE, o tempo médio de permanência de um brasileiro no mesmo emprego é de 190 semanas, ou seja, quase 4 anos. É claro que não da pra saber quanto tempo você ficará no emprego, mas usar a média parece uma boa. Então, em média, seu dinheiro já rende 20% ao ano.

Portanto, se a sua empresa faz coparticipação na previdência, vale fazer as contas se um PGBL é vantajoso para você!

Outro ponto relevante do VR, são as taxas abusivas dos planos PGBL. Mas o artigo do VR é de 2009 e algumas coisas já mudaram desde então. A maior concorrência que os bancos vem enfrentando com as fintechs e corretoras menores fizeram eles rever algumas taxas e a maioria já não cobra mais taxa de carregamento nos planos. https://economia.uol.com.br/financas-pessoais/noticias/redacao/2018/09/20/bancos-zeram-taxas-investimentos-tesouro-direto-previdencia.htm

Assim os custos abusivos não são mais o seu inimigo para aproveitar a vantagem tributária dos planos PGBL!

Com relação ao outro ponto do VR, de que os planos são limitados a investir só até 49% em ações, aí é uma questão pessoal. Não estou defendendo aqui que você coloque 100% da sua renda em PGBL, só 12% que é o que te garante o benefício fiscal. Então esses 12% podem ser a parcela menos arriscada da sua carteira, e tem todo o restante da renda para investir na bolsa (se quiser).

Logo respeite o limite de 12% da renda tributável aplicado no PGBL e diversifique o restante!

Para fazer as contas se o PGBL faz sentido pra você, você precisa levar em consideração:

1. Renda: se a sua renda tributável for até R$84 mil reais, não vale a pena fazer o PGBL porque a declaração simplificada já te garante um desconto de 20% da renda tributável (bem melhor que os 12% de desconto com o PGBL);

2. Custos do PGBL: mesmo que o PGBL escolhido por você não cobre taxa de carregamento, ele deve cobrar alguma taxa de administração;

3. Imposto de renda: quanto mais tempo você deixar o seu PGBL aplicado (tabela regressiva) ou quanto menos tiver de renda tributável (tabela progressiva) menos imposto vai pagar. Mas lembre-se que no caso do PGBL, o IR pago é sobre o total e não só sobre o rendimento. No caso da tabela regressiva, por exemplo, a vantagem é você pagar 10% de IR ao invés de 27,5%, mas algum imposto você paga!

4. Outras deduções: se você é uma pessoa com dependentes, gastos com saúde, educação e outras deduções, e já vai fazer a declaração completa, o PGBL vai te ajudar a turbinar suas deduções.

5. Coparticipação da empresa: aqui é o pulo do gato que expliquei anteriormente. É dinheiro grátis!

Para simplificar, vamos a um exemplo.

Vamos supor uma pessoa com renda tributável de R$200 mil, que trabalha em uma empresa com coparticipação total de até 6% da renda, e que fica só 3 anos na empresa, então só recebe 20% dessa coparticipação. Ela tem disponível um PGBL renda fixa com taxa de administração de 2,0%. Mesmo que a coparticipação seja só de 6%, ela investe 12% da renda no PGBL para obter toda a vantagem fiscal e recebe então uma restituição de IR de R$6,6 mil que ela investe a Selic de 6,5%.

Para simplificar, vamos supor que a alternativa seria essa pessoa investir os 12% da renda no Tesouro que rende Selic de 6,5%, ao custo de 0,3%. Mesmo sem o benefício fiscal do PGBL, essa pessoa recebe R$4,4 mil de restituição de IR na declaração simplificado (27,5% de R$16mil, que é o desconto máximo do simplificado).

Vamos as contas, considerando um período de investimento de 10 anos em ambos os casos:

Logo, esse único investimento no PGBL deixou essa pessoa com R$6,5 mil reais a mais em dez anos. O negócio potencializa se for feito todo ano e se a pessoa tiver outras deduções para adicionar na conta.

Se você tem uma renda alta e tem uma empresa que faz coparticipação na previdência, vale a pena fazer as contas se o PGBL é para você ou não! Basta substituir seus valores na conta acima. Ainda vou aprender a fazer uma ferramenta online para simplificar a vida dos leitores, mas por ora acho que da pra se virar com esse exemplo, rs.

E aí? Alguma consideração adicional sobre as contas? Concordam com o PGBL em alguns casos?

9 Comentários

  • ABM

    Elsa, muito boas considerações. Eu nunca tinha parado para fazer as contas. Acho que o benefício da contrapartida do empregador mais o benefício fiscal podem valer a pena sim. Acho que pode ser vantajoso em termos fiscais um PGBL na alíquota progressiva, se você planeja usar os recursos no período de tempo em que se está sem renda tributável nesta categoria. Além disso, para algumas famílias pode haver um benefício em termos sucessórios, já que é um recurso que não entra em inventário e, portanto, não é taxado.

    • sempresabado

      Oi ABM! Obrigada pelo comentário!

      Sempre fico nessa dúvida sobre a regressiva ou progressiva. Como pretendo ter renda de aluguel na aposentadoria, acho que a regressiva faz mais sentido pra mim. Mas dependendo do caso, pode-se pagar até 0% de imposto!

      E bem lembrado: benefício sucessório também é uma boa!

      Um abraço!

  • Kspov

    Sinceramente nao consigo ver desvantagem desde q haja contribuicao da empresa. Mesmo com taxa de carregamento. Na empresa q trabalho a empresa participa com 50% . Ou seja se contribuo com 1.500 a empresa contribui com mais 750 e no total aporto no plano de previdencia 2.250. Esses 50% q a gente ganha da empresa. Imbativel frente a qq aplicacao

    Obrigado pelo Post. Muito boas as consideracoes

    • sempresabado

      É um retorno imbatível mesmo!
      Alguns podem argumentar que o benefício só é válido se vc ficar por muitos anos na empresa, mas a gente nunca sabe o dia de amanhã né? E é uma opção relativamente barata!

    • sempresabado

      Verdade AA! Quando comecei a ler os blogs dos gringos sempre ouvi que maximizar o 401k é prioridade! Justamente por conta dessa contrapartida né?

    • sempresabado

      Boa aportador! Vou ler seu post sobre isso!
      Excelente retorno hein? Isso por conta da contrapartida e benefício fiscal?

  • Executivo Investidor

    Olá! Eu também sempre contribui o máximo no PGBL para garantir a contrapartida da empresa e isenção do IR (até o limite de 12%). Sempre tive zero de taxa de carregamento. Ainda em relação ao IR no saque, eu zerei minha PGBL quando vim para o Canadá e ainda assim meu rendimento médio líquido ficou bem acima de 1% ao mês (boa parte graças a contra partida).
    Aqui no Canadá o limite para isenção é 18%. Chamamos de RRSP.

    Abraço!
    Executivo Investidor
    http://www.executivoinvestidor.com

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.