Elsa,  Reflexões,  Transporte

Eu contra os carros

black mountain bicycle
Foto por Tony em Pexels.com

Outro dia eu assisti um documentário no Netflix que se chamava Bike vs Cars. O documentário era uma coleção de relatos de diversos ciclistas nas grandes cidades ao redor do mundo, inclusive na nossa querida São Paulo. Em todas as grandes cidades, o ciclista não tinha vez e não tinha espaço. Poucas cidades tem faixas especiais para ciclista, que vão de ponta a ponta. Mas todas as cidades possuem avenidas e ruas por todos os cantos. O problema é que essas avenidas estão paradas de tanto carro, e as pessoas estressadas com o trânsito.

Quando vcoê vê uma situação assim, é automático pensar “Não seria mais inteligente oferecer à população a opção de se deslocar por bicicleta?” Por mais que a bicicleta seja um meio de transporte mais devagar que um carro, ela ocupa bem menos espaço e com certeza não formaria o trânsito que os carros formam, além de que pedalar é uma ótima atividade física e elimina o stress.

E por que as cidades não estão cheia de ciclo faixas então? Porque a indústria automobilística não quer, simples assim. Se você vive numa cidade em que a principal forma de deslocamento é o carro, você vai precisar comprar um carro e a indústria vai lucrar com isso. E como essa indústria é muito rica e os políticos do mundo todo precisam de dinheiro para conseguir se eleger, bom, é só unir o útil ao agradável, e temos todos os ingredientes necessários para piorar o bem estar de todos.

Eu lembro de quando ganhei meu primeiro carro. Foi uma alegria imensa! Eu morava numa região distante do centro da cidade, então o carro permitia que eu chegasse a todos os lugares que queria rapidamente. Ainda que eu morasse próximo ao metrô, eu usava muito pouco o transporte público por medo da cidade. Cresci acreditando que São Paulo é uma cidade perigosa, principalmente para as mulheres, e sendo muito protegida pelos meus pais. São Paulo de fato não é uma das cidades mais seguras do mundo, mas será que dirigir um carro na Marginal Tietê não é ainda mais perigoso do que pegar o metrô? Ganhar o meu carro foi um sinal de liberdade pra mim, foi o melhor presente que eu poderia ter ganho. O engraçado é que 10 anos depois, foi uma alegria ainda maior vende-lo e ficar sem carro!

O que mudou nesses dez anos é que eu percebi que odeio dirigir e odeio ficar parada no trânsito. Não tenho menor interesse em conhecer os detalhes do meu carro, o quanto ele corre, a potência dele (até porque convenhamos, qual a utilidade de um carro super potente quando você anda a 10km/h no trânsito?). Com certeza ter um super carro nunca esteve na minha lista de prioridades. Mas além disso, eu me sentia sufocada dentro do carro. Depois de um dia de trabalho, ter que dirigir 1h pra chegar em casa fazia com que as minhas energias se esgotassem e tudo que eu queria era chegar, tomar banho e dormir. Foi então que eu comecei a ir de metrô pro trabalho. Mesmo que meu trabalho não tivesse uma estação próxima, eu fazia o restante do trajeto a pé ou de ônibus. E comecei a perceber que pra mim era uma alegria muito grande sair do trabalho e caminhar até a estação. A alegria aumentava porque eu ainda podia ler um livro no caminho! Quando eu chegava em casa, eu ainda tinha energias para conversar com a minha família, jantar, e fazer alguma coisa no meu tempo livre que não fosse dormir. E o tempo de deslocamento nem era tão mais longo assim.

Até que eu comprei meu apartamento bem próximo ao meu trabalho. E então eu comecei a ir a pé pro trabalho todos os dias, levando 10 minutos apenas. Aí sim minha vida mudou e ficou muito mais agradável. Não perco mais horas por dia com deslocamento, não me estresso mais com trânsito ou com o metrô lotado. Eu dependo apenas das minhas pernas! Por mais que a compra desse apartamento tenha sido um gasto grande pra mim, ele me trouxe um aumento tão grande na minha qualidade de vida que eu acho que valeu cada centavo.

E então eu comecei a olhar com mais carinho para os meus gastos e para as coisas que eu poderia me desfazer e lá estava ele, o mesmo carro que me deu tanta alegria quando ganhei há 10 anos. Não esperei nem um mês e coloquei ele a venda. Pra minha alegria, vendeu muito rápido! Além da economia por mês com gasolina, seguro, IPVA, estacionamento, manutenção e etc, eu ainda tinha uma grana extra pra investir. Foi realmente uma alegria imensa!

Na época, eu até achava que a economia compensaria meus gastos com taxi e Uber, mas ultimamente esse gasto tem sido bem baixo. O que eu percebi é que eu não gosto de ficar dentro de um carro, sendo eu a motorista ou não. Sinceramente, andar de carro ultimamente tem me dado até enjoo, tamanha a minha repulsa por esse meio de transporte, rs. Hoje eu moro em uma região central, então consigo fazer muitas coisas a pé ou de bicicleta. Mas mesmo quando eu tenho que me deslocar por distâncias maiores, eu também tenho preferido ir de metrô ou ônibus. Estou realmente fazendo de tudo para evitar o carro!

E isso tem me feito muito bem! Se eu vou tomar café da manhã com minhas amigas a 3km de distância da minha casa, eu vou e volto andando. Se eu vou almoçar com a minha família a 5km de distância da minha casa, eu vou e volto de bicicleta. Se eu vou visitar pessoas queridas em alguma distância maior, eu vou de bicicleta, a pé e um pouco de metrô. Os únicos problemas desse tipo de transporte é que eu tenho usado muito mais meu tênis e roupas de ginástica nos eventos, rs. Mas não me importo! Aliás, acho que isso não tem sido exclusividade minha. Acho que assim como eu, muitas pessoas estão usando a cidade como uma grande academia ao ar livre e utilizando tênis e roupas confortáveis para passear, almoçar ou visitar um amigo. E o que eu vejo quando cruzo com essas pessoas, é um sorriso muito grande no rosto, bem diferente da cara de desespero das pessoas que estão no trânsito.

Hoje eu não ligo mais de chegar no trabalho calçando meu tênis cor de rosa. Não ligo mais de chegar suada aos lugares, até porque em pouco tempo o suor passa e eu carrego meu desodorante sempre comigo. E inclusive não ligo se no meio do caminho tomar uma chuva. As vezes eu tenho um guarda-chuva, as vezes uma capa de chuva, e as vezes nada para me proteger. E quando a única opção é tomar um banho de chuva… ahhhh, é aí que eu fico ainda mais feliz!

Elsa

6 Comentários

  • sempresabado

    Muito bem Elsinha!!! Eu super te apoio!! A locomoção diária sem carro tb é uma libertação pra mim. Como vc está fazendo pra visitar a família que mora na outra ponta da cidade, uber? Bjs Muquirana

  • Orlando Werner

    Gosto muito de utilizar a bike tbm, apesar de que na minha cidade praticamente tudo dá para fazer em 10 minutos, mas mesmo em uma cidade maior acredito que iria preferir a bicicleta, tanto pelo exercício como por evitar o stress do trânsito. E claro a economia no bolso faz bem tbm.

    • sempresabado

      Legal que mora numa cidade assim Orlando!
      Acho que o deslocamento é um grande desespero pra quem vive em uma cidade como São Paulo por conta do trânsito, e o carro deveria ser a última opção!

  • Simplicidade e Harmonia

    Elsa,

    Gostei do seu post, tem tudo a ver com o que penso.
    Acho muito estranho as pessoas considerarem passar horas dentro dos sofás motorizados como algo normal. Mais estranho ainda é considerarem que o carro x ou y significam luxo. Ter mais tempo e morar perto do emprego estão se tornando os novos luxos.

    Boa semana,
    Simplicidade e Harmonia

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