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FAZER UMA POUPANÇA PARA OS FILHOS VALE A PENA?

Photo by Fabian Blank on Unsplash

Buscar a independência financeira tendo filhos pode ser bem desafiador como comentei nesse post. Essa semana passei bastante tempo pensando se deveria ou não começar uma poupança de longo prazo para o meu pequeno.

Esse questionamento foi motivado pelo livro que estou lendo. Nele o autor fala como a tecnologia vai moldar nosso futuro e como muitas pessoas se tornarão irrelevantes para o mercado de trabalho (seria algo em uma escala muito maior do que aconteceu com os datilógrafos). A única forma de fugir dessa irrelevância seria conseguir acompanhar os rápidos desenvolvimentos da tecnologia e do mundo através de uma educação atual e de qualidade. Justamente por isso, o preço dessa educação deve ser bem alto.

Enfim, fiquei pensando se deveria começar agora algum tipo de poupança para ajudar a custear a educação futura do baby Muquirano. Num mundo que muda rápido e com a desigualdade crescente, a educação é um ativo muito valioso e não gostaria de passar um stress financeiro durante a minha aposentadoria caso seja preciso contribuir para isso. Não sei qual será a qualidade e a disponibilidade de educação técnica ou universitária pública no futuro, então prefiro não contar com essa hipótese. Vale lembrar que a educação é a única herança que podemos deixar para nossos filhos que ao invés de ser tributada dá desconto no imposto de renda! Como não tenho pretensão de deixar dinheiro de herança, prefiro ajudar com a educação para que ele tenha condições de criar seu próprio patrimônio. Decidi fazer algumas contas para ver como o poder do juro composto me ajudaria nessa jornada.

Fiz uma planilha (disponível aqui) considerando a idade atual do baby Muquirano, aportes mensais do casal e uma taxa de retorno real. IMPORTANTE: como estamos falando de poupança de longo prazo fiz tudo em valores reais, tanto aportes corrigidos anualmente, quanto retornos. Em um horizonte longo os valores nominais não dizem nada porque simplesmente não sabemos o que será da inflação.

Considerei um aporte de 100 reais para mim e 100 para o Sr. Muquirano, um valor que não pesaria no nosso orçamento. Considerei um retorno real de 4% ao ano. Ao final de 17 anos teríamos um pouco mais de 70 mil reais (além da inflação), o que daria para pagar metade de um curso em uma das faculdades mais caras do país. Achei um super negócio da China: faria uma coisa que acho importante que é contribuir para a educação do baby Muquirano, não pesaria no orçamento e se ele resolver que não quer estudar ou conseguir estudar de graça eu vejo depois o que fazer com o dinheiro. Antes dele completar 18 anos eu teria total discricionariedade sobre o valor.

Aportes de 200 reais após 17 anos.

Fiquei tão empolgada em “achar” tanto dinheiro no bolso daqui a 17 anos que já deixei as próximas 12 transferências mensais programadas, e daqui um ano reajusto o valor do aporte pela inflação. O Sr. Muquirano preferiu fazer um aporte único de 1200 reais e tirar isso da frente. Já tínhamos aberto uma conta digital no banco Inter (um dos poucos que abre conta digital grátis para menores) e agora vamos abrir uma conta na XP. Pretendo comprar o IVVB11 (ETF do S&P500) com os aportes.

Algumas pessoas podem criticar a decisão e dizer que é a obrigação dos filhos se virarem para custear esses estudos. Acho um ponto de vista válido e sei de muita gente que se deu muito bem na vida tendo que ralar para estudar e trabalhar. Mas a beleza da independência financeira é ter mais opções e me programando com bastante antecedência essa seria uma opção a mais no futuro abrindo mão de um valor no presente que não mudaria minha vida.

Qual a sua opinião? Você fez ou faria uma poupança para seus filhos?

11 Comentários

  • Ana

    Post muito interessante, Muquirana. Ainda não sou mãe, mas já me peguei pensando nisso. Acho que, na minha atual situação, faria o mesmo que você (porém colocando R$ 50,00, para não pesar no meu orçamento), assim, teria algum dinheiro, caso meu filho precisasse no futuro.

    • sempresabado

      oi Ana! bem-vinda ao site. Adoramos quando tem meninas por aqui 🙂
      Acho que você pode começar a fazer essa poupança pequena mesmo sem ter os filhos ainda. A gente sabe que se poupar com o tempo o dinheiro cresce, mas acabamos ficando na inércia enquanto poderíamos já estar com um bolo crescendo para qualquer eventualidade no futuro. Um abraço!

  • sempresabado

    Concordo muito com os seus pontos Muquirana! E com certeza faria igual.
    Além de ser uma forma de você poder conversar sobre finanças com o seu filho e ele perceber, na prática, os benefícios dos aportes e planejamento de longo prazo!
    Elsa

    • sempresabado

      É verdade Elsinha, nao tinha pensado nisso. Quando ele estiver maior pode ir vendo o dinheiro crescer e o poder da poupança. O Sr Muquirano sempre muito prático disse que quando ele fizer 12 anos de idade já vai passar pra ele preencher a declaraçao de imposto de renda do dinheiro rsrs

  • ABM

    Muquirana, acho que é bem válida esta sua iniciativa. Eu não tomei a iniciativa prática de abrir uma conta específica para isso, mas temos calculado alguns valores que varia um pouco a depender da situação, seja apoiar com estudos, um empreendimento próprio, uma experiência internacional, ou mesmo um colchão de segurança para começar a vida.

    • sempresabado

      Legal ABM, quando estiver em terras brasileiras fica a dica do Banco Inter com 0 de tarifas e sem burocracias para conta de menores! As vezes acho que é “dar moleza” para os filhos esse tipo de poupança ao invés de deixá-los se virar, mas dai acabo me convencendo que é um jeito de ter mais opções no futuro a um custo baixo, e nao seria nenhum valor que faria com que os filhos tivessem a vida ganha e ficassem na praia. Como você notou, é um apoio para um começo deles.

      • ABM

        O banco Inter eh uma ótima opção! Acho que toda ajuda aos filhos que pode potencializar um esforço já em curso, tende a ser positivo ao invés de acomodar. Quando eu entrei na universidade, minha família fez um esforço grande para me dar um carro, pois o trajeto a noite era super perigoso de onibus. A gente comemorou muito por eu ter sido aprovada em uma universidade publica. Eu conclui o curso, vendi o carro e dei o dinheiro de volta para minha familia. Nunca mais comprei um carro para uso individual. Nunca fui para o trabalho de carro na vida.

  • AA40

    Quisera poder fazer o mesmo aqui nos EUA mas aqui é proibido menores terem conta em corretora e banco e no meu nome eu que teria que arcar com as declaracoes e tudo mais. Poderia abrir uma UTMA mas é muito complexo.
    Aproveite que no Brasil é possível e nao pesa no orçamento. R$ 100 é tranquilo para a maioria. Abcs

    • sempresabado

      Nossa AA40, nao sabia dessa proibição dos EUA. Sempre escuto nos podcasts o pessoal falando que poupa para a faculdade dos filhos em uma 529 account, mas nao faço ideia de como funciona. Engraçado esse tema do imposto que voce levantou. Meu marido me perguntou ontem se a gente teria que ir declarando, senao um belo dia quando ele tiver 18 anos vai aparecer um dinheirao do nada que pode ser taxado como doaçao de uma vez ao inves de aportes pequenos isentos. Nem tinha pensado sobre o assunto! um abraço!

  • Executivo Investidor

    Eu acho que a maior herança que os pais podem e devem deixar para os filhos é educaçao (num sentido amplo, formal e de carater). Nao pretendo deixar herança para meu filho mas sempre busquei dar a melhor educaçao possivel, assim como meus pais fizeram para mim. Eu abri uma conta poupança aqui para meu filho onde deposito um valor mensal. Nao temos faculdades gratuitas aqui no Canada, porem existe uma infinidade de bolsas e ajudas do governo e empresas privadas. Mesmo na hipotese de conseguirmos bancar a universidade com essas bolsas o dinheiro servira para cursos de aprimoramento ou mesmo para dar o start na vida adulta.

    Abs!

    Executivo Investidor
    http://www.executivoinvestidor.com

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