Muquirana,  Reflexões

Finanças pessoais é para os fracos

Photo by Edgar Chaparro on Unsplash

Esse é um manifesto da independência financeira, pois nós somos a contracultura do mundo do dinheiro. Se você já leu as colunas típicas de finanças pessoais já deve ter se deparado com aquelas velhas máximas: poupe 10% da sua renda, faça uma previdência privada, compre a vista, blá-blá-blá. Se pudéssemos classificar o leitor pela idade diria que esse pessoal faz apostilas para o jardim da infância do dinheiro.

A verdade é que isso é muito chato e só lê quem já é interessado no tema. Ou seja, essa indústria acaba pregando para convertidos. Esses convertidos já sabem disso tudo, e se não colocam nada em prática é por procrastinação ou desorganização.

O que agregaria valor de verdade nessa área é ensinar rebeldia social para as pessoas ao invés de finanças sociais. Quer se aposentar e viver de renda? Dá pra fazer até com 2 salários mínimos, basta ter rebeldia social. Duvida? Minha empregada doméstica é o exemplo clássico. Renda de dois salários mínimos, três terrenos comprados na cidade natal, mais de 15 mil reais poupados no banco. Agora vai começar a construir suas casinhas de aluguel e em uns 5 ou 7 anos poderia se aposentar e viver de renda.

Quer fazer igual? Basta rebeldia social. Você topa dividir o aluguel de uma casa pequena com outra pessoa e gastar menos de 10% da renda com moradia? Topa usar SÓ o transporte público? O que acha de usar roupas que ganha de alguém ao invés de gastar comprando as suas novas? Tem paciência de procurar programas grátis no fim de semana e só viajar uma vez por ano e ficar na casa de parentes? Se você que me lê, que provavelmente tem curso superior e um emprego no ar condicionado topar, vai poupar fácil 80% da sua renda e em menos de 10 anos vai trabalhar por hobby.

“Aí, mas o que vão pensar de mim? No mínimo que sou um quebrado que usa roupas velhas e anda de ônibus e bicicleta“. “Ah, mas é importante fazer networking e sair para almoçar com os colegas da firma”. “Poxa, mas eu trabalho tanto e sou muito jovem, eu preciso aproveitar a vida pois caixão não tem gaveta”. Só a rebeldia social é que salva nessas horas!

Se você não tocar um grande “phoda-se” para o que a sociedade espera de você, vai viver a sua vida em função dos outros! Se você se acha muito bom para algumas coisas vai ter que se contentar em trabalhar alguns anos a mais para sustentar seus “luxos!. Repare que no momento que você abre os olhos de manha já aparece algum anuncio querendo levar seu dinheiro. Se você fizer o que todos fazem é bem provável que o seu dinheiro evapore mesmo nessas coisas ditas essenciais. O aluguel subiu? Vai morar mais longe! Ah, mas tem transito? Então monta uma república! O restaurante é caro? Leva marmita. Sem contar que esses almoços com colegas só servem para as pessoas falarem mal uma das outras e ficarem frustradas com seus empregos.

Não tenha medo de ser diferente! Só quem faz as coisas de um jeito particular consegue se destacar da média.  Nenhum blogueiro de finanças pessoais fala de aposentadoria antecipada. Nós vamos muito além. Finanças pessoais é para os fracos!

8 Comentários

  • Investidor Estrategista

    Um dos melhores textos que li nos últimos tempos na blogosfera. Concordo com tudo. Creio que a única maneira de conseguir um equilíbrio entre acumulação patrimonial e conforto é ter uma fonte de renda com valor mais alto que a média. É o que faço, consigo ter uma vida confortável e ao mesmo tempo aportar um valor considerável. Hoje, entendo que o melhor a se fazer não é cortar custos drasticamente, mas sim gastar de forma razoável, porém, mantendo o foco em aumento de renda e priorizando aportes frente a despesas não essenciais.

    Grande abraço!

    Att,

    http://Www.investidorestrategista.home.blog

    • sempresabado

      Obrigada pelo elogio IE!
      Parabéns por aportar mesmo com um padrão de vida bom. Muita gente simplesmente passa a gastar mais à medida que vai ganhando mais. Não é óbvio o que vc faz! Mesmo as despesas essenciais explodem. Abraço!

  • Executivo Investidor

    Excelente texto! Muito bem colocado. Eu pessoalmente não sou adepto dessa “rebeldia”, talvez como também comentou nosso colega IE eu sempre tive uma renda muito superior às minhas necessidades e sempre busquei colocar o dinheiro para trabalhar desde cedo. Mas concordo com a essência dessa filosofia!
    Abraço,

    Executivo Investidor
    http://www.executivoinvestidor.com

    • sempresabado

      Olá EI!
      Como falei pro IE mesmo tendo um padrão de vida bom, acho q o simples fato de vcs pouparem já é louvável. As pessoas vão inflacionando a vida sem pensar. O que tenho mta dificuldade em aceitar eh quem tem uma renda boa mas sempre arruma uma desculpa para não poupar. É muito mimimi pro meu gosto. 🙂 abraço!

  • ABM

    Acho que as recomendações recorrentes sobre finanças pessoais nos meios de massa são focadas em como viver essa “vida convencional” de forma mais responsável. Ou seja, nao ter debito de cartão de credito, nao entrar em cheque especial, economizar 10% do salário etc. Pressupõe que as pessoas vão ter uma aposentadoria convencional. Acho que as pessoas que conseguem ter o habito pessoal de viver com menos do que ganha e economizar mais que a média, mesmo num extrato de renda mais baixo, sempre terão a vantagem de ter mais opções e mais autonomia.

    • sempresabado

      Olá ABM! Nunca tinha pensado por essa ótica. As recomendações são convencionais pq as pessoas terão aposentadorias convencionais! É bonito de tão simples e lógico!
      Muita gente não para muito para pensar no assunto e toca às finanças no automático. O resultado vai ser a média mesmo. Aposentadoria aos 60-65 com sorte com complemento de uma previdência privada.

      Abraço!

  • Semeador Financeiro

    Mesmo sem querer me enquadro nessa rebeldia amigo. Não gosto de gastar com muitos itens comuns para 90% da população, tipo roupa e carro…tenho pavor de ver o dinheiro indo para isso. Prefiro manter meus aportes em bons níveis rsrs

    O que não me privo muito é “comer bem”, entre aspas pois cada um tem uma visão do que isso significa, pois não vou em locais que um almoço ou jantar ultrapasse uns R$30, exceto em viagens, esporadicamente.

    Essa rebeldia é necessária de um modo operacional geral, a lei seria a frugalidade ativa e nenhuma necessidade do ego aparecer com o terrível “Status”.

    Excelente texto, como estou começando agora essa jornada, ter essa raiz mais firme contra o fluxo, é vital!

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