Elsa,  Gastos,  Saúde

Minha escolha de plano de saúde

Confesso que resisti um pouco para escrever esse post. Primeiro porque vai parecer publicidade. Mas não é, eu e a Muquirana não ganhamos um tostão com esse blog. Segundo proque quando eu descubro algo que me deixa super empolgada, eu tenho um pouco de medo de dividir com outras pessoas, porque a opinião delas pode acabar com a minha empolgação. E bem, esse é bem um caso desses. Mas recentemente conversando com uma amiga sobre várias soluções que eu adotei pra minha vida, ela disse que eu tinha que criar um blog (ela não sabe da existência desse) pra divulgar isso tudo, porque ela acha muito rico. E eu já tenho um carinho enorme pelos leitores desse blog pra não dividir com vocês coisas mais práticas. Então acho que vou passar a fazer mais posts assim, começando por esse tema que é tão polêmico na blogosfera de independência financeira.

Eu e a Muquirana já escrevemos diversas vezes sobre custos de saúde na aposentadoria (aqui e aqui). E devo dizer que os comentários foram incríveis, e ajudaram muito a pensar melhor sobre o assunto. Dentre as opções que me deram, desde de “desencanar de ter um plano” até “é melhor continuar trabalhando para sempre para ter o plano de saúde da empresa”, eu decidi que iria optar por ter um plano de saúde sim na minha aposentadoria. Comecei a pesquisar sobre as minhas opções e quanto mais pesquisava, mais eu tinha a sensação de que acabaria pagando por um serviço ruim. Já estava conformada em ter que abrir um CNPJ para ter mais controle sobre os reajustes dos planos, o que ia dar um trabalhão e ter mais “custos” embutidos. Até que uma dessas coincidências incríveis aconteceu.

Meu marido recebeu um e-mail de despedida de uma colega de trabalho, que estava mudando de emprego. Quando ele falou com ela, descobriu que ela iria trabalhar numa start-up de saúde, chamada Alice. Meu marido começou a pesquisar mais sobre a empresa e me chamou “acho que achei uma opção de plano de saúde bem interessante”.

A primeira vista duas coisas positivas me chamaram a atenção. A primeira é que era um plano de saúde familiar, ou seja, os reajustes seriam controlados pela ANS. Fiquei feliz porque planos de saúde familiares já estavam parecendo um unicórnio. A segunda é que era um plano de saúde que incluía o hospital Oswaldo Cruz e o laboratório Fleury, que oferecem serviços de altíssima qualidade.

Resolvi me cadastrar para receber um orçamento e descobri que pra minha faixa etária o plano custaria em torno de 800 reais. De fato, esse preço estava acima do que eu pretendia pagar, mas isso porque eu já estava considerando abrir mão de serviços de tão boa qualidade. Aí o corretor perguntou se eu tinha interesse em marcar um call pra conhecer melhor a proposta dele. Marquei o call para aquela mesma tarde.

E então o corretor me explicou que a Alice oferece os mesmos serviços de um plano de saúde comum (ambulatorial + hospitalar), mas com alguns diferenciais. O primeiro deles é que a parceria com o Oswaldo Cruz é no modelo value-based. Ainda sei muito pouco sobre o assunto, mas o pouco que já aprendi me convenceu de que esse é o melhor sistema. Segundo esse sistema, ao invés do plano de saúde pagar cada item de um serviço, ele paga por um pacote. Por exemplo, meu marido fez recentemente uma cirurgia no joelho e ficamos chocados ao descobrir que na descrição dos itens que o hospital cobrou estavam “fraldas”, o que obviamente ele não utilizou! Esse é um típico exemplo de hospital querendo ganhar em cima do plano de saúde. No sistema value-based, o plano pagaria o pacote completo “cirurgia de joelho”, que num primeiro momento sairia mais caro para o plano, mas o hospital não cobraria as fraldas, rs. Além disso, se a primeira cirurgia fosse mal feita e tivesse que ser refeita, o hospital arcaria com os custos. Essa é uma forma que garantiria uma relação mais saudável entre o plano e o hospital, garantindo um serviço de qualidade e evitando cobranças abusivas.

A segunda é que eles te oferecem um time de saúde, o que permite que eles não ofereçam reembolso. Esse time de saúde é composto por médico geral, enfermeiro, nutricionista e preparador físico. Esse time vai te acompanhar ao longo do tempo e registrar todos os seus problemas de saúde. Se você precisar de um especialista, eles te encaminham e você não paga a consulta. Se você quiser se consultar com um especialista por conta própria, então eles não te reembolsam. Eu entrei para ver os médicos especialistas associados ao plano, e achei o time muito bem qualificado. Eu não sou apegada a nenhum médico hoje em dia, e confesso que me sinto até um pouco perdida na escolha de um profissional para entregar minha saúde nas mãos dele (dado que entendo muito pouco sobre o tema!). Então pra mim foi um alívio saber que terei acesso a um time altamente qualificado, que já terão meu histórico de saúde completo! Fora que todo esse “investimento” deles no seu time de saúde, que inclui nutricionista e preparador físico, já entrega que eles acreditam que a prevenção é muito eficiente. O que eu também acredito.

E o terceiro é a possibilidade de um atendimento de emergência online. É claro que nem toda emergência pode ser resolvida a distância, e para isso eu teria o pronto socorro do Oswaldo Cruz. Mas pensando nas últimas emergências que tive, todas elas foram resolvidas sem necessidade de exame e só com uma descrição verbal do que eu tava sentido para o médico sugerir a medicação ou encaminhar para um especialista. Aqui eu acredito que está a chave do sucesso desse plano também. A gente sabe que o brasileiro tem uma cultura de mau uso do pronto socorro, justamente porque ele pensa que não paga essa conta. Mas paga, na hora do reajuste do plano.

Pontos negativos tem sim. De fato, o preço não é o mais barato de todos. Mas a verdade é que estou convencida de que estarei pagando por um serviço de altíssima qualidade. Eu conseguiria planos por metade do preço, mas eu ficaria com a sensação de que estava pagando por um serviço ruim. E provavelmente pagaria por médicos particulares por fora do plano. Além disso, só ter o Oswaldo Cruz como hospital pode parecer ruim. Mas pensando bem, me convenci de que talvez seja uma boa. Eu já ouvi casos de planos que ofereciam diversos hospitais, mas na hora do “vamô vê” só liberava internação nos hospitais de mais baixa qualidade. Além disso, como são regulados pela ANS eles são obrigados a pagar atendimento em outro hospital se o Oswaldo Cruz atingir o máximo de capacidade (o que eu vi que nunca aconteceu). Por fim, a próxima grande novidade do plano será incluir um seguro para assistência fora de São Paulo. E eu acho que isso basta. A maioria dos leitores desse blog já relataram que fora de São Paulo é fácil achar hospital do SUS de referência, no caso de uma emergência. Para todos os outros casos, se eu descobrir uma doença fora de São Paulo, eu volto para cá pra me tratar. Até porque no caso de uma doença grave, eu iria querer estar perto da minha família. É claro que se você não tem base nenhuma em São Paulo, aí o plano não parece ser o ideal para você.

Por fim, confiar sua saúde numa start-up, parece uma loucura! Afinal, a empresa tá só começando e os riscos de não dar certo ainda são enormes. Mas decidi ser otimista! Quando fiz as contas aqui do patrimônio necessário para me proteger de todos os riscos associados a um plano de saúde, eu conclui que esse sistema estava a beira de um precipício e que algo precisaria mudar. Eu não sei se a Alice achou a solução perfeita para isso tudo, mas pelo menos o plano me ofereceu uma alternativa a um sistema que eu considero quebrado. Entre pagar pelo velho que já não funciona, achei que dessa vez valeria arriscar e pagar pelo novo que pode funcionar. Estou numa fase de ser mais otimista com a vida e acreditar mais nos cenários em que as coisas dão certo!

4 Comentários

  • Juliana

    Oi Elsa..é bom incluir na sua avaliação se faz cobertura nacional..porque quando se aposentar é provável que queira viajar de vez em quando e uma emergência cirúrgica em uma cidade desconhecida pode sair muito caro..outra coisa, seu marido provavelmente usou de 1 a 2 fraldas no centro cirúrgico..rsrs..porque numa cirurgia de joelho eles sondam o paciente e costumam colocar fraldas em caso de vazamento em todos os pacientes..bjs

    • sempresabado

      Oi Juliana! Obrigada pela comentário! Como falei, esse é um ponto negativo desse plano, a abrangência nacional deles funciona como um seguro viagem.
      Sobre as fraldas, eu lembro que eram muitas rs incompatível com o tempo de internação e com a cirurgia. Enfim, foi um exemplo bem bom de abrir os olhos!

  • Aposente Cedo

    Oi Elsa!
    Sobre ser uma start up, não me incomoda nem um pouco.
    A cobertura regional é um limitador muito ruim, na linha opinião, já que o seguro assistência que vai te cobrir nessa parte certamente tem um limite de indenização (como todo seguro), ou seja, se você for atropelada em Brasília e ficar internada 10 dias, pode ser que já no segundo dia a indenização do seguro seja atingida e você tenha de arcar com o resto.

    O conceito do time de família é antigo e o próprio pode público reativou com as Clínicas da Família (não sei se tem em SP). Acho bem bacana como forma de prevenção!

    Quanto a exames, especialmente de alta complexidade (pet scan, dentre outros), verificou a cobertura?

    Daqui a um ano ou mais, atualize a gente como foi o serviço no geral.

    Abraço

    • sempresabado

      Oi AC!
      Sim, essa cobertura regional também é um belo ponto negativo pra mim. Como não achei o plano perfeito, acho q os pontos positivos desse plano superam os negativos.
      Eu também dei uma olhada nos custos de uma UTI helicóptero, e não seria algo que destruiria meu patrimônio, então me deixou mais tranquila!
      Mas combinado, daqui um ano eu volto com atualização sobre o serviço!
      Abs

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.