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Os juros vão ficar para sempre em 6,5%? – Parte 2

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Parte 2: O que está acontecendo com o Brasil hoje?

Hoje o Governo Federal está bem endividado. E o pior, gasta muito mais do que recebe, então a dívida dele é crescente. Isso faz dele um bom pagador? Bem, ele tem honrado com a sua dívida, e pago tudo certinho. Mas o risco é grande de que se esse cenário não mudar, em algum momento ele pode ter que dar um calote.

Se você olhar as contas do governo, vai ficar claro que tem uma conta lá que ele gasta muito mais do que arrecada: é no INSS, o órgão que controla as aposentadorias. Ou seja, para que o governo volte a controlar as suas contas, e gaste menos do que recebe (gerando superávits) ele precisa parar de gastar tanto com pagamento de aposentadorias. É aí que está a importância da Reforma da Previdência.

Mas mesmo sendo um pagador “duvidoso”, o Banco Central colocou a taxa Selic no menor patamar da história: 6,5%. Por que ele fez isso?

Quando as pessoas perceberam o tamanho do buraco das contas públicas (que só ficou claro durante o segundo governo da presidente Dilma), o medo de que o governo não conseguisse honrar com as suas dívidas foi gigantesco. Vale lembrar que inclusive empresas emprestam dinheiro para o governo. Aí imagina que você é uma empresa, que emprestou para o governo e não sabe mais se ele irá honrar com as suas dívidas. No mínimo você para de investir, corta custos (ou seja, demite funcionários), e se prepara para o pior. Algumas fecham as portas e demitem todos os funcionários.

Aqui, mais uma vez, estamos sendo bem simplistas. Mas foi mais ou menos isso o que aconteceu desencadeando a crise recente da economia, que fez com que o PIB caísse -3,5% em 2015 e 2016.

PIB caindo, empresas não investindo, pessoas sem emprego e sem poder consumir, o que acontece? Os preços caem. O nosso Banco Central manteve a Selic alta por um tempo até ter certeza de que a inflação tinha recuado bem. Aí bem, se você não tem inflação, para quê deixar as pessoas sofrendo sem emprego e sem poder consumir? Foi aí que o Banco Central decidiu cortar os juros para estimular a economia.

Hoje, com a taxa Selic a 6,5%, a economia cresceu apenas 1% no ano passado, e deve crescer mais ou menos isso esse ano pra menos. Ainda é muito pouco para o tanto que caiu. E a inflação está controlada, próxima da meta. É por isso que alguns analistas acreditam que a Selic até pode cair mais um pouco, numa tentativa do Banco Central de estimular a economia.

Mas por que estamos com os juros tão baixos se o Brasil é um pagador duvidoso?

Se o Brasil é um pagador duvidoso, eu não deveria preferir emprestar dinheiro para o meu primo gastão dado que o governo está pagando juros tão baixos? Ou então, eu não deveria aproveitar e tomar o risco de investir na bolsa, para quem sabe conseguir um retorno maior?

É exatamente isso que o Banco Central quer que você faça. Empreste para o seu primo gastão para estimular a economia. Mas as pessoas não estão fazendo… ou estão fazendo menos do que o esperado.

E por quê? Porque apesar do Brasil estar com as contas ruins, o governo está tentando aprovar uma reforma da previdência no Congresso. Se passar, então as contas públicas voltam a ficar mais controladas, e o Brasil pode voltar a ser um bom pagador, ou melhor, deixa de ser um pagador duvidoso. Essa boa vontade do governo faz com que as pessoas ainda topem emprestar dinheiro para o governo ao invés de emprestar para o primo gastão, mesmo com a Selic a 6,5%.

Mas, se o governo e Congresso falharem, e a reforma não for aprovada, o risco do governo não conseguir honrar com as suas dívidas fica muito alto. Com isso o câmbio deve subir e com ele a gasolina, a passagem de ônibus e a inflação como um todo. Aí não resta muito para o Banco Central, a não ser subir os juros. Até onde? Isso vamos responder na próxima sessão.

Se o governo e Congresso conseguirem aprovar a reforma da previdência, a confiança de que o governo conseguirá honrar com as suas dívidas será tão grande, que as empresas voltam a investir e a contratar. A população volta a consumir e o PIB cresce. Mesmo nesse cenário, com o PIB crescendo, é provável que a inflação volte a ficar mais pressionada e o Banco Central precise subir os juros. Até onde? Veremos na Parte 3.

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7 Comentários

  • ABM

    Vamos ver que tipo de reforma vai ser possível aprovar. Eu particularmente não acredito que é possível uma reforma “definitiva”. Logo logo vai ter que ter um incremento no que passar agora. Eu realmente já não sei o tamanho da injeção de ânimo que essa reforma pode gerar em termos de investimentos. Eu espero que ela funcione como primeiro passo para um tanto de outras medidas que podem estimular as empresas a se arriscarem mais. Quanto aos juros, também não vejo muito impacto em reduzir a taxa atual nas condições gerais em que o país esta.

    • sempresabado

      Olá ABM. Eu sinceramente nao sei mais no que acreditar. Os políticos cada hora falam uma coisa. Nesse momento em que escrevemos parece haver um “pacto” para que a reforma seja aprovada em uma versao abrangente e definitiva. Vamos ver até quando dura, fica a nossa torcida para que o país invista no futuro (educaçao) e nao no passado (aposentadoria). Também nao vejo tanta vantagem em se cortar os juros agora, mas com o PIB cada vez pior tem muita gente pedindo por isso. Abraço!

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