Elsa,  Reflexões

Planos ainda de pé

Minha ausência no blog nas últimas duas semanas não é porque me apaixonei pelo emprego novo e decidi que vou trabalhar pra sempre. Também não foi porque eu odiei o emprego novo, larguei tudo e fui viver de sonho achando que o dinheiro em algum momento vai aparece e dane-se a busca da independência financeira. A minha ausência foi porque eu realmente precisava de foco pra seguir no meu plano de independência financeira. Afinal de contas, a mudança de emprego foi principalmente porque ela anteciparia meus dias de FIRE, então eu precisava de foco para que essa mudança desse certo!

Apesar do blog ser uma fonte de prazer pra mim, eu gosto de me dedicar aos posts e escrever com calma. Mas as últimas semanas foram aquela loucura típica de começo de emprego. Rotina nova, horários diferentes. Você ainda não se sente a vontade na sua mesa de trabalho, muito menos com os colegas novos. Ainda não tem aquela intimidade com os colegas pra fazer um almoço relaxante tirando sarro das bizarrices da empresa. Também não sabe nem aonde fica o banheiro mas seu chefe está tão animado com a sua contratação que já quer que você construa um foguete pra competir com a NASA, rs. Eu vivi isso na minha última mudança de emprego e quase tive um piripaque de tanta ansiedade e stress. Hoje estou mais calejada. Sei que a cobrança dele é pra fazer jus a si mesmo e mostrar logo que fez uma boa contratação. Mas trabalho bem feito leva tempo. Não vou entrar na loucura de novo.

O engraçado é que eu to numa empresa nova, tenho colegas novos mas vi que os dilemas são os mesmos. Impressionante como tem coisa que só muda de endereço. Hoje eu tenho um chefe que claramente é muito bem remunerado mas vive para manter as aparências (adoro a expressão americana de “keeping up with the Joneses”). Já percebi que tenho colegas que deixam a rotina do trabalho dominar a sua vida por completo porque é assim que um bom funcionário faz. Já vi que tem aquele que acha que o seu valor é medido pelo seu salário. Já vi que tem aquele que é mal remunerado, está na mesma função a anos mas caiu no conto da “lealdade” a empresa. E já vi que tem aquele que percebe que perdeu os melhores anos da sua vida no escritório, mas agora é tarde demais, o padrão de vida é alto demais e sente que não tem mais escolhas. Ainda não vi ninguém que claramente leva uma vida frugal e está lutando pela independência financeira. Mas esses aí são mais discretos, como bem sabemos, rs, e espero mapea-los em breve.

Apesar disso, eu estou sim empolgada com o trabalho novo. Eu sou do tipo que gosta de novidade, gosta de ver como outras empresas funcionam e gosto de pisar em terrenos desconhecidos. Isso é muito estimulante e torna meu dia a dia menos maçante e mais prazeroso. Uma amiga, que sabe dos meu plano de independência financeira mas não o compreende disse “você no fundo gosta dessa vida, duvido que vai ter coragem de se aposentar”. Ela estaria certa se não fosse o fato de que eu também detesto a cobrança em excesso, a dedicação de horas de trabalho em excesso e a necessidade de politicagem em excesso. Meu sonho é viver uma vida de novas experiências, de novas construções sem a necessidade de que isso pague minhas contas. Enquanto houver o medo de que o meu sustento precisa ser garantido, a vida não vai ser tão prazeroso assim.

Esse medo é tão real em mim que confesso que pensei se não era melhor largar tudo logo, abrir logo mão dessa exigência em excesso da vida corporativa e começar a viver a vida que eu desejo agora mesmo. De fato, dinheiro pra me sustentar por alguns bons anos não me falta. Uma outra amiga minha veio me contar que cansou da vida corporativa, vai estudar turismo gastronômico e mudar de país por 1 ano, que é o período que ela consegue se sustentar sem trabalhar. Quando ela contou os planos, a reação em geral foi de incentivo “é isso aí, a gente tem que ir atrás dos nossos sonhos”. Confesso que ouvir isso agora, quando estou ralando no emprego novo, mexe comigo. Será que eu levo a vida muito à sério? Será que eu não deveria largar tudo e viver os meus sonhos logo?

A bem verdade é que viver de sonhos na prática é uma merda. Achar que dinheiro não é tudo, que a vida é mais, é uma irresponsabilidade sem tamanho. Na mesma semana encontrei uma amiga que foi atrás do sonho na Austrália por 10 anos. Foi babá, garçonete e faxineira. Não juntou um tostão, sempre acreditando que alguma hora as contas iam fechar. As contas não fecharam, as dívidas aumentaram e o visto pra morar lá pra sempre não saiu. Voltou para o Brasil onde as experiências profissionais dela são muito mal pagas. Ela já está com 35 anos, se acha velha demais pra recomeçar. A solução? “Eu quero mesmo é um marido pra me sustentar”. Foi uma boa dose de realidade pra saber que viver de sonho é uma irresponsabilidade. Não é pra mim.

Então meus caros leitores meu plano inicial continua sendo meu único plano viável. Parafraseando Tom Jobim: A vida corporativa é uma merda mas é boa. A vida de sonhos é boa mas é uma merda. Não adianta ter ansiedade para viver a vida que eu quero. A falta de dinheiro realmente pode colocar tudo a perder. São alguns poucos anos que faltam, e sei que valerão à pena. Enquanto isso vivo a minha dose de adrenalina diária como todo bom assalariado. Quando eu vejo que a rotina me dominou pelo menos eu tenho a grata satisfação de pensar “isso tem prazo de validade”. É triste imaginar a vida de alguém que não tem rota de saída.

7 Comentários

    • sempresabado

      Oi EI! Que bom que se divertiu com o post, rs.
      Estou segurando firme aqui, a correria cansa mas não mata, rs.
      Abs!

  • Adriana

    Elsa, tudo bem?
    Muitas coisas para pensar e comentar sobre o seu texto. Dá para perceber que você é “pé no chão”. Eu também sou assim. Esse negócio de jogar tudo para o alto e sair por aí realizando os sonhos não é bem assim. Muito fácil sair para realizar o sonho depois de jogar tudo para o alto quando se tem, por exemplo, pais para bancar o sonho por exemplo. A internet está cheia de histórias do tipo “largou tudo para fazer brigadeiro e agora fatura x valor por mês”, mas acho que não é bem assim. E todas as histórias que dão errado todos os dias e não são notícia? Também não significa que sou pessimista, acho que é possível correr atrás do sonho com responsabilidade (financeira principalmente).
    Também já tive vontade, diversas vezes, de largar tudo e ir viajar por um ano por aí, tentando me descobrir. Na realidade, não descartei de todo esse plano, mas sempre coloquei a responsabilidade financeira na frente. Vou fazer isso quando o momento certo chegar, ainda há muita vida pela frente, o que são então mais alguns anos juntando um pouco mais de patrimônio? Ainda tenho muito o que aprender no lugar que estou, acredito que todas as fases da nossa vida são etapas de diferentes tipos de aprendizados e isso é o que mais importa lá no fundo.
    O importante é curtir o caminho sem neura. Acho que você está fazendo isso. A vida não é só se sacrificar para juntar dinheiro, as experiências de vida é que contam. As vezes a vida corporativa pode trazer alguns desses valiosos aprendizados. 🙂

    • sempresabado

      Oi Adriana! Obrigada pelo comentário.
      Realmente vc falou uma verdade, a gente fica muito focado em viver a vida pós FIRE e esquece que a vida é agora. Ontem mesmo em meio a maior turbulência de coisas pra fazer no trabalho, começaram a conversar sobre música (algo que eu adoro!). Parei oq estava fazendo pra bater um papo com os colegas e ter um pouco de prazer. Não somos robôs né? E a vida corporativa pode ter momentos prazerosos sim!
      Ahh, e concordo super, ninguém comenta sobre as startups q deram errado na mídia, rs. É um marketing muito bem feito! Mas a realidade é bem mais penosa.
      Abs!

  • ABM

    Elsa, mantenha o foco no seu plano! Você está numa posição de conseguir levar sua vida profissional adiante com discernimento. Muito legal que você possa ver o seu ambiente de trabalho nesta visão panorâmica, sem ser completamente tragada por esse ambiente corporativo. Isso por enquanto eh parte da sua vida, mas nao eh a totalidade dela e vc está consciente disso. Que bom que você não cai na falácia desse pseudo glamour da vida corporativa. Não sou muito partidária de correr riscos desnecessários. Muitas pessoas veem as decisões que já tomei como chutar o balde, mas nao eh bem assim. Nada foi feito da noite para o dia e havia alternativas para diferentes desdobramentos.

    • sempresabado

      Oi ABM querida! Fiquei curiosa sobre as decisões q vc tomou q pareciam “chutar” o balde. Pelos seus comentários, tenho certeza que foi o oposto disso! Rs
      Obrigada pelo comentário. Sempre penso nisso que eu estou no trabalho, mas não sou meu trabalho.
      Abs!

  • Sou Poupador

    Muito bem Elsa! É bem por aí mesmo. Temos que ser pé no chão. Viver uma ilusão não é uma alternativa viável. São muitas as pessoas que depois de um bom tempo percebem o tempo perdido. Diria que comprar a nossa própria liberdade tem um preço. A pergunta é: o quanto estamos dispostos a batalhar por ela? A propósito, ninguém disse que seria fácil! Disse? Bora seguir firme forte na direção dos objetivos. Estamos juntos!

    Fernando do Sou Poupador.

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